A História Mais Confusa de Todos os Tempos - Refutação
Encontra-se disponível na Internet, uma apresentação que pretende negar a veracidade das Sagradas Escrituras, a Bíblia, sugerindo contradições e discrepâncias nos relatos da vida de Jesus Cristo que se encontram registados nos quatro Evangelhos, não deixando margem para dúvidas relativamente às intenções e objectivos do mentor deste vídeo:
“Isto é apenas um exemplo de como a Bíblia é corrupta e imunda pelos cristãos pagãos. Essas não são meras contradições, mas mentiras deslavadas. Oh Mas Deus não mente? Bem este lixo chamado Novo Testamento não é a PALAVRA DO DEUS como os Cristãos tentam-nos dizer. Por isso, trago a sua atenção as palavras supostamente Ditas reais não uma terceira fala de pessoa ou as cartas do Anticristo Paulo de Tarso.”
Como cristão-evangélico que sou, com uma experiência real com Jesus, já com vinte e quatro anos, e uma convicção racional indiscutível com respeito à veracidade e credibilidade da Bíblia, lido com esse Livro Sagrado diariamente, lendo-o, estudando-o e ensinando-o de capa-a-capa, de Génesis a Apocalipse, não resisti a responder e mostrar como tal apresentação, esta sim, é cheia de enganos e de mentiras “deslavadas”.
Mostrarei que as contradições e discrepâncias que o Sr. Peideiemvc (assim me irei dirigir à entidade, pessoa ou empresa, que a colocou na internet, por ser este o nome disponibilizado na conta Youtube do vídeo referido e por desconhecer o nome correcto do autor dessa apresentação) diz existir, não existem. Elas são apontadas pelo Sr. Peideiemvc como resultado de superficialidade na leitura e análise dos textos bíblicos, ou, talvez, por malvadez. Digo isto pelo ódio e rancor expressos por suas palavras acima transcritas e respostas que ele dá àqueles que se lhe opõem.
Porque estudar e interpretar a Bíblia não pode ser do modo tão superficial e simples como o demonstra o Sr. Peideiemvc, e porque demonstrar a verdade dos factos exige mais extensão em palavras do que a mentira que pode ser (e foi) dita em poucas palavras, é necessário mais espaço do que uns poucos de “slides”. Assim, apelo ao leitor que já viu essa apresentação e que a aplaudiu, seja corajoso e leia este contraditório, que pretende não contender, mas repor a verdade dos factos bíblicos em questão. Também, esta exposição pretende ser de ajuda àqueles que, porventura, ficaram com a sua convicção abalada e outros que gostariam de saber responder e não souberam como.
1ª. Suposta contradição:
No vídeo não aparece completa. Não se fica a saber qual é.
2ª. Suposta contradição:
O avô de Jesus chamava-se Jacó (Mt. 1:16)
O avô de Jesus chamava-se Heli (Lc. 3:23)
Não se trata da mesma genealogia. A de Mateus segue a linhagem de José, enquanto a de Lucas segue a linhagem de Maria. Repare que a diferença não está só no avô mas nos demais ascendentes, até David. Temos Salatiel, mas, obviamente, não é o mesmo. A preocupação dos testemunhos evangelísticos é diferente, por causa dos leitores a quem se dirigem. Mateus, que escreve em primeira mão para os judeus, preocupa-se em provar que Jesus é o Messias e o Rei que Deus lhes havia prometido. Daí apresentar a linhagem de Abraão, o pai da nação judaica de cuja descendência viria o Messias, e a linhagem de David, o primeiro Rei de Israel, de quem Jesus é descendente, e, por conseguinte, o legítimo herdeiro do trono. Normalmente, a genealogia que se preocupa em demonstrar as linhagens legítimas no que respeito a direito de herança de posição, é a do pai. Lucas, porque endereça em primeira mão o Seu registo histórico de Jesus aos gregos, preocupa-se em demonstrar a humanidade de Jesus (“o Filho do Homem”), pelo que, apresenta a genealogia de Maria, na qual o seu corpo humano foi gerado, apresentando todos os ascendentes até Adão, o primeiro ser humano. É verdade que a apresentação da genealogia por Lucas começa mencionando José, mas isso acontece porque os genros eram como que adoptados e tomados por filhos por parte de seus sogros.
No que concerne ao argumento de José não ser o pai de Jesus, é certo que naturalmente não é, mas em termos legais sim. Jesus era conhecido, por todos como o filho de José, o carpinteiro (Jo. 6:42; Mt.13:55).
3ª. Suposta contradição:
Jesus foi para o Egipto (Mt. 2:14)
Jesus não foi para o Egipto (Lc. 2:22, 39)
Os momentos e as épocas a que se referem as ocorrências não são os mesmos. A ocorrência de Mateus decorre já Jesus teria dois anos de idade de acordo com o está escrito no v.16. A razão porque Herodes mandou matar os meninos de dois anos para baixo, foi porque os magos lhe disseram que o Rei dos Judeus teria nascido “há dois anos”, de acordo com o tempo em que a estrela que sinalizou o Seu nascimento havia aparecido. Na ocorrência de Lucas, Jesus tinha 41 dias, em conformidade com a lei mosaica que regulamentava a respeito da circuncisão e da consagração dos recém-nascidos machos (Lv. 12:1-4).
É de notar que nenhum Evangelho é um diário da vida de Jesus, isto é, um registo dia-a-dia. Também, não é um registo minuto a minuto. Por exemplo, em Lucas somos informados do nascimento de Jesus e o que se passou até pouco mais de um mês. Depois um acontecimento quando tinha doze anos (Lc. 2:42) e, seguidamente, já quando Ele tinha cerca de 30 anos (Lc. 3:23). Cada evangelista registou testemunhos pessoais e ou informações, sem seguir a rigor a cronologia, mas aquilo e na ordem que, dirigidos pelo Espírito Santo, acharam importante.
4ª. Suposta contradição:
Jesus foi tentado no deserto (Mc. 1:12-13)
Jesus não foi tentado no deserto (Jo. 2:1-2)
Fazer leitura da Bíblia desta forma teríamos que dizer que Jesus não nasceu porque João não relata esse evento; que, também, não fugiu para o Egipto, não foi habitar para Nazaré, não proferiu os sermões da montanha e profético e tantas outras situações relacionadas com a vida de Jesus, porque, de igual modo, João não faz qualquer menção a todos esses eventos da vida de Jesus. Ou, ao contrário, poderíamos dizer que Jesus não esteve nas bodas de Canaã porque nenhum dos outros evangelistas fez qualquer referência a esse acontecimento. Os quatro evangelistas não relatam todos os mesmos acontecimentos e factos e os vários registos de passagens comuns/paralelas não são iguais a rigor, em todos os detalhes. Normalmente, não registam todos e os mesmos detalhes. Não se trata de contradições, mas que se complementam. É necessário comparar, enquadrar e harmonizar os vários registos.
5ª. Suposta contradição:
1º. Sermão foi na montanha (Mt. 5:1-2)
1º. Sermão foi em lugar plano (Lc. 6:17-20)
1º.) O sr. Peideiemvc nunca viu montanhas com lugares planos? Para o Sr. Peideiemvc, não existem planícies em montanhas. Convido-o a visitar-me em Portugal e vou-lhe mostrar quantos lugares planos se podem encontrar nas montanhas. Por outro lado, um lugar plano não significa que não tenha inclinação. Uma superfície plana pode possuir inclinação. Quer dizer, um lugar plano pode ser numa encosta de um monte, com inclinação. Outrossim, há em encostas de certas montanhas socalcos – porções de terreno plano que cortam a encosta de uma montanha. O sermão bem poderia ter sido proferido num socalco.
2º) Os registos não se referem ao mesmo sermão isto é, o sermão de Lucas é um outro sermão que não o de Mateus. O sermão de Lucas é denominado de “O Sermão da Planície”. O facto de existirem conteúdos semelhantes não significa que os relatos registam um único e mesmo sermão. Podem ser dois sermões distintos nos quais Jesus apresenta ensino comum. Com efeito, tanto no conteúdo como na estrutura, há mais diferenças do que semelhanças entre os sermões. Por outro lado, se considerarmos que o material de Mateus e Lucas aparecem em ordem cronológica, observe que o sermão de Mateus aparece antes da chamada dos apóstolos (10:1-ss) e o de Lucas depois (6:12-16).
Veja outra situação, relativamente a estes dois evangelhos, Mt. 6:9-13 e Lc. 11:1-4. Numa leitura superficial, parece que os textos registam palavras proferidas por Jesus num mesmo momento. Todavia, numa leitura mais cuidada, observamos que registam palavras ditas em momentos distintos, em contextos diversos. Em Mateus temos Jesus a transmitir ensino sobre a oração, de Sua iniciativa, integrado no sermão da Montanha. Em Lucas, Jesus ensina sobre oração a pedido dos discípulos, após estar a orar. No Novo Testamento temos outras situações de textos bíblicos semelhantes, escritos pela mesma pessoa incluindo ensinos similares, porém, escritos em tempos diferentes (v. Ef. 5:22-6:9 cf. Cl. 3:18-4:1).
Você poderá retorquir dizendo que nas Bíblias encontra-se escrito, em título, que ambos os textos em discussão são o “Sermão da Montanha”. Quero que note que os títulos que, normalmente, encabeçam os textos, não fazem parte dos escritos originais. Tratam-se de colocações dos editores para ajudar os leitores na procura e compreensão das passagens.
6ª. Suposta contradição:
Jesus foi crucificado à 3ª. hora (Mc. 15:25)
Jesus foi crucificado à 6ª. Hora (Jo. 19:14-15)
Alguns comentadores deste vídeo do Sr. Peideiemvc podem dizer que há várias sinceras interpretações, porém, erradas. Mas esta é errada e, pessoalmente, entendo que nada de sincero apresenta. É tendenciosa. Os momentos e acontecimentos a que os textos se referem não são os mesmos. Em João refere-se à hora do julgamento por Pilatos no qual dá a sentença da crucificação. Marcos regista a hora da execução, da crucificação propriamente dita. Entre um momento e outro, decorreram outros eventos: o debate de Pilatos com os judeus e consigo mesmo para tomar a decisão final da crucificação e a decisão definitiva, ainda decorreu todo o tempo de preparação de Jesus para ser crucificado, Sua caminhada até ao Calvário e a Sua colocação no madeiro.
Agora a questão é a seguinte: se Marcos regista a hora da execução, algum tempo após a hora do julgamento, como é que a hora é inferior? Não é inferior. Como é que se explica? Primeiro, obviamente, os relógios ao tempo e a forma como o tempo era dividido era diferente de agora. Depois, os judeus mediam o tempo de forma diferente dos romanos:
a) Os judeus dividiam o dia de 24 horas, em dois períodos de doze horas: um que, em relação ao nosso horário, corresponde das seis da manhã às seis da tarde, e outro que corresponde das seis da tarde às seis da manhã. Por sua vez, cada período desses era fraccionado em períodos de três horas. Há noite esses mais pequenos períodos de tempo eram designados de “vigílias”. Assim, “terceira hora do dia”, correspondia “às” ou “pelas” nove da manhã. Também, pode significar o período que medeia entre as seis e as nove, mais próximo das nove.
b) Os romanos dividiam o dia, também, em dois períodos de doze horas, mas de forma diferente aos israelitas. Eles dividiam da meia-noite ao meio-dia, e do meio-dia à meia-noite.
Assim, “hora sexta”, para os romanos, a hora do julgamento, correspondia às 6 horas da manhã. João terá optado por essa hora, por ser aquela que teria sido registada no acórdão judicial romano; e “hora terceira”, a da execução, para os judeus, correspondia as nove da manhã.
Caro leitor, pense o seguinte: imagine que o Sr. Peideiemvc apresenta em tribunal uma queixa contra os cristãos por crerem na “História da Crucificação de Jesus”, dizendo que esta não passava de uma falsidade e de uma invenção, fundamentando a sua queixa na discrepância no registo das horas entre João e Marcos. O leitor acha que teria validade tal queixa? Acredita que a sentença do tribunal seria qualquer coisa como isto: “Com efeito Jesus não foi condenado e, consequentemente, não foi crucificado”? Eu não! O Juíz iria requerer a presença das testemunhas. Aí apresentavam-se os evangelhos de Marcos e João e, também, de Mateus e Lucas. O que é que aconteceria? O Juíz verificaria o seguinte: todos falam que um homem de nome Jesus, de Nazaré, que fora traído por um amigo, de nome Judas, condenado por Pôncio Pilatos, com falsas testemunhas da parte dos judeus, escarnecido por soldados romanos, transportou o travessão de uma cruz até um lugar chamado de Gólgota, crucificado juntamente com dois outros condenados e que morreu. Na “audição” das testemunhas, observou que há uma discrepância num pequeno detalhe: a hora a que João refere ter acontecido o julgamento e a hora a que Marcos refere ter ocorrido a execução. Entretanto, verificou que, no que concerne à hora em que as trevas estiverem sobre a terra e que Jesus expirou coincidem nos três evangelhos sinópticos: Mateus (27:45-50), Marcos (15:33-37) e Lucas (23:44-46). Qual seria a sentença do Juiz? Seria, qualquer como isto: “A queixa do Sr. Pedeiemvc não procede. O fundamento que aponta não é relevante. É um pequeno detalhe que diante dos outros muitos factos apontados pelas testemunhas, que no essencial coincidem, não permite, de forma alguma, destruir a “História da Crucificação de Jesus”. Assim, de toda a análise processual, damos razão aos cristãos - Jesus foi condenado e morreu numa cruz, expirando pela hora nona. A “História da Crucificação de Jesus” é verídica! Caso encerrado!”
7ª. Suposta contradição:
2 ladrões zombaram de Jesus (Mt. 27:44; Mc. 15:32)
1 ladrão zombou de Jesus (Lc. 23:39-40)
Lucas não diz que só um zombou de Jesus. Esse Evangelista regista o arrependimento, mudança de atitude e confissão de um dos dois, acerca dos quais Mateus e Marcos dão conta que zombavam de Jesus. Jesus esteve seis horas pendurado (desde a hora terceira, Mc. 15:25, 9 horas da manhã, até à hora nona, Mc. 15:34, 15 horas, i.e., 3 da tarde) e muita coisa aconteceu nesse (longo) período de tempo. Houve tempo para os malfeitores zombarem e blasfemarem de Jesus e houve tempo para um deles, ao observar a reacção humilde e pacífica de Jesus à zombaria e blasfémia de ambos, dos soldados romanos e do povo que também zombava e, conhecendo a vida de Jesus, considerou e mudou a sua atitude para com o Filho de Deus. Também, poderá ter contribuído para o seu arrependimento e confissão o conhecimento que poderia ter das Escrituras, que profetizavam a respeito da morte do Messias com todos aqueles detalhes da crucificação.
Este acontecimento mostra a misericórdia e graça de Deus para com todos os pecadores, incluindo aqueles que blasfemam Dele. Incluindo o Sr. Peideiemvc. Sim, apesar da sua blasfémia e zombaria, Deus na Sua longânime misericórdia e graça está disponível para o perdoar e lhe oferecer a eternidade no Paraíso. Jesus declarou que todo o pecado cometido e blasfémia proferida contra Ele seriam perdoados (Mt. 12:31-32). Se o Sr. Peideiemvc se arrepender, mudar a sua atitude para com Jesus e Lhe pedir perdão, Ele vai perdoá-lo e dar-lhe entrada no céu. Muitos ateus e anti-cristãos professos e militantes têm-no feito!
8ª. Suposta contradição:
Deram vinho com fel para Jesus beber na cruz (Mt. 27:34)
Deram vinho com mirra para Jesus beber na cruz (Mc. 15:23)
Acha que é uma contradição? Eu não acho, sinceramente. Ter fel não elimina ter mirra, e vice-versa.
A respeito desta aparente discrepância, transcrevo o que encontramos no comentário “O Novo Testamento Interpretado, Versículo a Versículo”, R.N. Champlin, Editora Candeia:
“O vinagre era um vinho azedo, frequentemente misturado com água, sendo a bebida comumente usada pelos soldados. Provavelmente nenhuma diferença é tencionada pelo uso das palavras, por parte dos escribas. A palavra “vinagre” aparece novamente no v.48, onde goza da autoridade de todos os manuscritos. Essas duas palavras, pois, eram comumente empregadas como sinónimos. O trecho de Marc. 15:23 diz “mirra” ao invés de “fel”. A mirra dava ao vinho azedo um sabor melhor e, tal como o fel, produzia um efeito narcótico e estupefaciente. Não é impossível que ambos os elementos tivessem sido usados na bebida que Jesus provou e se recusou a beber; contudo, o mais provável é que os autores dos evangelhos simplesmente empregaram termos diferentes para expressar uma ou outra coisa – os elementos postos no vinho a fim de dar um efeito narcótico; e para eles, a identificação exacta desse elemento não era tão importante como parece para os modernos harmonistas. Lemos na história que esse tipo de bebida era usado parta diminuir os sofrimentos dos soldados feridos. E era costumeiro dá-la às vítimas da crucificação, para que suas dores fossem suavizadas. (…) Neste versículo temos o cumprimento notável de certa profecia: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede deram-me a beber vinagre” (Sl. 69:21). É bem possível que o fel que aparece no evangelho de Mateus tenha sido escrito em lugar de mirra por causa da influência da profecia que ele provavelmente tinha em mente, ao escrever esta secção. O costume de prover tal bebida para os que sofriam, era reputado como uma caridade piedosa, por parte dos rabinos, sendo provável que em Pro. 3:16 houvessem encontrado um texto de prova para tal costume. Esse costume persistia no tempo dos crentes mártires. (Neander, Leben Jesus, pág. 757). Não se pode provar que tal costume houvesse sido originado entre os romanos, mas aqui o estavam seguindo, pelo que, pelo menos, deve ter sido adoptado por eles. Alguns acreditam que o oferecimento, mais provavelmente, deve ter sido feito pelas mulheres que seguiram o cortejo até ao Gólgota, penalizadas com Jesus (Lc. 23:27); mas quanto a isso não podemos ter certeza.”
E acrescenta:
“A RECUSA de Jesus em beber esse vinho é encarada por alguns comentaristas como acção significativa do ponto de vista espiritual. Jesus queria sorver até ao fim e completamente o cálice que lhe era dado pela mão do Pai” (Jo. 18:11). (Robertson, in loc.).” – Sr. Peideiemvc, Jesus fez isto por mim e por si!
9ª. Suposta contradição:
1 mulher foi a sepulcro (Jo. 20:1)
2 mulheres foram ao sepulcro (Mt. 28:1)
3 mulheres foram ao sepulcro (Mc. 16:1)
Mais de 3 mulheres foram ao sepulcro (Lc. 24:10)
São um conjunto de passagens relacionadas com os primeiros momentos após a ressurreição de Jesus. O Sr. Peideiemvc quer mostrar contradições entre os vários relatos apontando a diferença de uns para com os outros quanto ao número de mulheres que foram ao sepulcro na manhã da ressurreição.
Mais uma vez o Sr. Peideiemvc agarra-se a um aspecto não essencial com o intuito de destruir o alicerce fundamental da fé cristã, a ressurreição de Jesus Cristo.
Mais uma vez o Sr. Peideiemvc revela superficialidade e precipitação na análise dos textos bíblicos (para não considerar que há maldade da sua parte; este juízo deixo-o com a sua consciência).
Analisemos:
1) João não diz que só Maria Madalena é que foi ao sepulcro. João destaca Maria Madalena por ter sido a primeira mulher e a primeira de todos os seguidores de Jesus a vê-lo ressurrecto (Mc. 16:9). Relata em detalhe essa experiência de Maria Madalena.
2) Mateus não fala que sómente Maria Madalena e a “outra Maria” foram ao sepulcro na manhã da ressurreição. Entre todas as mulheres ele salienta essas. Desconheço o motivo, o que, também, não é relevante.
3) Marcos esclarece-nos que a “outra Maria” era a mãe de Tiago. Acrescenta e identifica uma outra mulher, Salomé. Diz que estas, com Maria Madalena compraram os aromas para com eles ungirem Jesus. Também não disse que foram elas unicamente que foram ao sepulcro.
4) Lucas acrescenta à lista uma mulher de nome Joana e “as outras que com elas estavam”. Portanto, mais de 3.
5) Conclusão: os primeiros três testemunhos, porque não restringem os seus relatos ao número que mencionam, não excluem a presença de um número maior de mulheres. O último testemunho que regista um número maior que 3, não elimina qualquer número menor de presenças, porque se há mais de 3, há 3, há 2 e há 1.
Para ficarmos com a noção clara dos eventos vamos harmonizá-los, tomando por base os quatro Evangelhos:
Passado o dia de sábado, pelo menos, três mulheres, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé, compraram aromas para ungir o corpo de Jesus (Mc. 16:1). No dia da ressurreição, bem cedo, de madrugada (Mc. 16:2; 20:1), estas, mais Joana e algumas outras não identificadas (Lc. 24:10) foram ao sepulcro para ungir e aromatizar o corpo de Jesus, segundo o costume. Chegaram ao sepulcro e viram que este estava aberto e sem o corpo de Jesus. À ordem dos anjos foram anunciar os factos aos discípulos. Maria Madalena encarregou-se de anunciar a Pedro e João (Jo. 20:1-2). Estes foram verificar e confirmaram os factos comunicados pelas mulheres. Depois regressaram a casa (Jo. 20:10). Entretanto, Maria Madalena, que deveria ter acompanhado aqueles dois apóstolos, ficou junto à porta do sepulcro sozinha, e enquanto chorava por não saber da localização do corpo, tem o privilégio de ser a primeira de todos os seguidores do Messias a encontrar-se com o Seu Senhor ressurrecto indo de imediato anunciar aos discípulos (Jo. 20:11-18).
A tentativa de apresentar uma contradição para desacreditar a veracidade da Bíblia e Jesus, Sua vida e obra em prol da humanidade e a Sua vitória sobre a morte, saiu falhada sr. Peideiemvc!
10ª. Suposta contradição:
Os discípulos foram ordenados irem para a Galileia depois da ressurreição (Mt. 28:10)
Os discípulos foram ordenados para ficarem em Jerusalém (Lc. 24:49)
Os momentos a que as referências aludem são bem distintos. O primeiro, foi no dia da ressurreição. O segundo, foi quarenta dias depois. A passagem de Lucas é paralela a At. 1:3-7, escrita pelo mesmo evangelista, isto é, trata-se do mesmo momento, onde diz que a ordem de ficarem em Jerusalém para receberem a promessa do Pai, o revestimento de poder que é o mesmo que receber o baptismo com Espírito Santo ou receber a Sua virtude, foi quarenta dias após o dia da ressurreição.
11ª. Suposta contradição:
Jesus subiu aos céus do Monte das Oliveiras (At. 1:9-12)
Jesus subiu aos céus de Betânia (Lc. 24:50-51)
O Sr. Peideiemvc aqui confirma a sua superficialidade de análise e inconsistência de argumentos. Deu-se ao trabalho, ao menos, de consultar num mapa ou algum informe para saber onde se situa Betânia? Pois é! Betânia é uma vila que se situa na encosta sudeste do Monte das Oliveiras.
Aparentando grande conhecimento, sabedoria e formação, demonstra precipitação e ignorância.
É bom que o Sr. Peideiemvc exorte as pessoas a ler a Bíblia toda. Concordo plenamente e faz muito bem. Mas deve acrescentar que a estudem com cuidado, texto e contexto e recorrendo ao uso de boa hermenêutica (conjunto de regras de interpretação de textos e livros), informação extra-bíblica, contextualizar no tempo e na cultura e considerar questões linguísticas do tempo em que os textos bíblicos foram produzidos, para que possa ajudar a desfazer as dúvidas naquilo que aparenta ser contradição. Que não tirem ilações precipitadas. E, não se esqueça de tomar o mesmo compromisso, Sr. Peideiemvc!
Se o Sr. Peideiemvc é honesto, vai ter que reconhecer que falhou na sua “exuberante” exposição. Que falhou na sua análise. E com a mesma exuberância, forma e amplitude deve pedir perdão público do seu erro! Erro público exige confissão, reparo e retratação públicos.
Vou orar para que Deus o alcance com sua misericórdia!


