O Condestável

O calendário religioso de nosso país é vasto. Porém, no final do primeiro semestre deste ano três acontecimentos mereceram atenção muito especial: produziu-se (mais) um novo santo – O Condestável, São Nuno de Santa Maria; na celebração de mais um dia 13 de Maio em honra da senhora de Fátima, apareceram notícias de que se acelera o processo para a beatificação de Lúcia, a vidente de Fátima; e comemorou-se o quinquagésimo aniversário do Cristo Rei, com a presença da “senhora de Fátima”.
Todos estes acontecimentos receberam uma excelente cobertura dos mídia e o apoio e presença de políticos eminentes, como é apanágio da nossa praça portuguesa.
A Canonização do Condestável
O Condestável, D. Nuno Alvares Pereira, é canonizado, porque, ao viuvar, dedicou-se à vida religiosa, tornando-se monge no convento do Carmelo, construído por ele mesmo, em Coimbra, havendo entregado todos os seus bens para benefício dos pobres.
Já há muito – centenas de anos - esta canonização era reclamada, mas o Código Canónico católico exige a existência de milagre para poder efectivá-la. E este aconteceu – uma certa senhora devota, apareceu testemunhando que fora curada milagrosamente num dos seus olhos atingido por óleo a ferver pelo venerado Condestável. E, assim, no dia 26 de Abril deste ano, foi proclamado pelo Papa Bento XVI, “São Nuno de Santa Maria”. Agora o Condestável foi levado – entenda-se, uma imagem - para o altar do templo para ali ser venerado, a quem farão petições, orações, súplicas, com retribuição de umas promessas sacrificiais e ou monetárias e romarias lhe serão tributadas.
Há uma ideia generalizada que os evangélicos não acreditam nos santos. Porém, isso não é verdade. Os evangélicos acreditam nos santos, e, até, digo, acreditam mais que os católicos. Digo isto porque os evangélicos crêem na Bíblia como a Palavra de Deus fiel, única regra de fé e conduta, que foi escrita por homens santos de Deus (II Pe. 1:21), o que não acontece com a grande maioria dos católicos. A Bíblia para esses católicos é um livro estranho. O que acontece é que os cristãos evangélicos não veneram nem cultuam os santos, porque os santos escreveram que só a Deus se deve venerar e cultuar (Mt. 4:10, At. 10:25-26; Ap. 22:8-9; v. tb. Jb 5:1 e 8-9).
Esta coisa de ser canonizado, isto é, ser feito santo, segundo o conceito da igreja católica, é algo que nada tem a ver com a Bíblia Sagrada, o Código Divino. De acordo com este Código, ser santo é uma designação dada àqueles que confessam e seguem Jesus e integram as várias igrejas locais (At. 26:10; Rm. 1:7; 15:26; I Co. 1:2; II Co. 1:2; Ef. 1:1; Fp. 1:1; Cl. 1:2; I Ts. 5:27; Hb. 3:1). Note que todos estes tratavam-se de pessoas vivas. E é uma condição que pertence a todos e não somente a uns poucos. A Igreja é designada de nação santa (I Pe. 2:9), uma concidadania de santos (Ef. 2:19) e templo santo (Ef. 2:21). A Igreja não é um edifício, um corpo governante ou uma qualquer hierarquia que a preside. A Igreja é o conjunto de todos os crentes fiéis em Jesus.Ser santo é um propósito e um dever imposto por Deus àqueles que são Seus eleitos e filhos (Ef. 1:3-4; I Pe. 1:15-16). É condição imprescindível para morar com Deus (Hb. 12:14; I Jo. 3:2-3; I Ts. 5:23). Deus ama a santidade no seu povo (Ml. 2:11).
Ser santo nada tem a ver com ser venerado pelas pessoas ou por ter realizado qualquer milagre. A realização dum milagre não é obra de qualquer humano, mas de Deus. O elemento humano pode estar presente mas como instrumento de Deus, por quem Ele opera o milagre. E não se deve à santidade desse instrumento (At. 3:12-13 e 16; 19:11)
Ser santo tem a ver com a fé que se tem no Único Deus Verdadeiro e o culto que Lhe é prestado (Dt. 6:4-5; I Co. 8:4-6; I Rs. 18:21; Mt. 6:24) e com o carácter e comportamento de quem tem fé Nele e O cultua, através dos quais Deus é glorificado (Ml. 2:11; I Co. 10:31; Mt. 5:16; Êx. 15:11). Ser santo significa, essencialmente, ser separado do pecado para Deus.
A pessoa é santa por acção de Deus. Quando se arrepende e se converte pela fé em Jesus, ela é santificada (feita santa) (At. 26:18). O crente é santificado pela fé no sangue que Jesus verteu no Seu sacrifício na Cruz do Calvário (Hb. 10:10 e 14; 9:14; Ap. 1:5), pela acção do Espírito Santo (I Pe. 1:2; Tt. 3:5-6; I Co. 6:9-11) e da Palavra de Deus (Jo. 17:17; Ef. 5:25-26; Sl. 119:9). O santificado vive para a santificação (Rm. 6:18-19 e 22), é criado em santidade (Ef. 4:24), santificando-se em todo tempo (Ap. 22:11), para participar da santidade de Deus (Hb. 12:10).
Os santos que morrem vão para a presença do Senhor Jesus, que está no céu, e ali permanecem em descanso aguardando o dia da ressurreição. Não são intercessores ou mediadores porque segundo a Santa Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, há um só Intercessor e Mediador, entre Deus e os homens, Jesus Cristo (Hb. 7:25; I Tm. 2:5; I Jo. 2:1). As nossas petições e preces devem ser dirigidas somente ao “Pai que está no céu” em nome de Jesus (Mt. 6:9; Jo. 15:16, 16:23-24)


