O Culto da Beleza
“ACREDITE NA BELEZA!” foi a mensagem que reparei, há uns poucos de dias, impressa num saco de papel de uma loja de perfumes e cosméticos. E argumentava este dever de acreditarmos (confiarmos) na beleza apontando algumas (supostas) vantagens.
Eu, também, acredito na beleza! Porém, não nessa beleza publicitada em tal saco, e tanto aclamada por tudo quanto é sítio – essa beleza que expressa a filosofia dominante de uma sociedade que, cada vez mais, valoriza a aparência em detrimento da essência, o parecer do ser, o fútil do útil, o supérfluo do necessário, o virtual do real, o efémero do durável.
Eu acredito na beleza dos valores e das virtudes – a beleza do íntimo, a beleza da essência, do ser, do ético, do (bom) carácter. A beleza que perdura sobre a beleza efémera. Acredito na beleza que resulta da confiança na Palavra de Deus (a Bíblia) e de uma estreita e constante comunhão com Ele. Qualquer confiança que não seja em Deus, em Cristo e na Sua Palavra, é vã!
A beleza estética e física padronizada pela indústria da moda e da fama é escravizante. O psico-terapeuta e escritor de renome, Dr. Augusto Cury, escreve a respeito dessa beleza, apontando os seus males. No seu livro com o título “A Ditadura da Beleza”, ele revela as mentiras e consequências prejudiciais da beleza padronizada e requerida pelas agências de modelos e da moda. Essa beleza gera complexos, frustrações, doenças psicossomáticas (anorexias, bolímia, distúrbios alimentares, etc.) e o consumismo desenfreado, gastando-se milhares para se manter a aparência, as linhas, os pesos e as formas corporais exigidas. A beleza estética e física de capa de revista (normalmente, trabalhada e formada por programas informáticos, artificial), é fruto de uma mente centrada no “eu”; a beleza do íntimo e do ético resulta da mente focalizada em Deus. A beleza estética e física segundo os ditames da presente sociedade é sedutora e opressora; a beleza do íntimo e ética é edificante e libertadora.
A beleza física e estética é, naturalmente, passageira; a beleza espiritual e moral é duradoura.
Quem possui beleza no íntimo e ética reflete-a na aparência. Quem é portador dessa beleza aprecia o belo, o arranjo, o brio, a limpeza e o bom-gosto. Não descura a moda, mas não se permite ficar escravo da mesma. No quanto é (economicamente) possível, é moderno e contextualiza-se, mas preserva a decência, a modéstia, o pudor e a castidade.
A Bíblia, no capítulo 31 do Livro de Provérbios, dá-nos conta de uma mulher, mãe de um rei, Lemuel, que profetizou para ele: “enganosa é a graça, e vaidade, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada” (versiculo 30). Essa é a mulher que é mais apreciada que as mais belas jóias (vv. 10-11). A profecia descreve a sua beleza: cuida bem do seu marido (v. 12), trabalha incansavelmente com alegria (vv. 13-14 e 27 b), é providente e organizada (v. 15), é boa administradora dos seus rendimentos e da sua casa (v. 16 e 27a), não se poupa a esforços (v. 17), é diligente e vigilante (v. 18), as suas mãos estão embelezadas pelo trabalho e pela caridade (vv. 19-20), é previdente e cuida da família e proporciona conforto ao lar (v. 21-25 b), é cuidada, arranjada, decente e honrada no seu trajar (v. 22b e 25).
Provavelmente, esta mulher não passaria num “casting” para “super-model”: rosto queimado pelo sol, mãos enrijecidas do trabalho, unhas não polidas e cortadas rentes, braços musculados com veias salientes, talvez um tronco desproporcionado, pés fortes e largos, vestuário modesto e púdico (ainda que bonito e contemporâneo), etc…. Porém, consigo ver na mulher “talhada” segundo o modelo profético, um sorriso radiante, fruto da felicidade de amar a Deus e de se relacionar com Ele, da paz na consciência pelo dever cumprido, da alegria de uma vida satisfeita e realizada, da harmonia que vivencia no lar, do gozo de nada lhe faltar a nível material, da segurança face ao futuro, dos bons sonos que desfruta em cada noite que tal estilo de vida lhe proporciona, e por receber a estima de todos, sendo bem reputada pelos superiores da cidade (v. 23), apreciada pelos filhos e apaixonadamente louvada pelo marido (v. 28) e recebendo distinção dentre as demais mulheres (v. 29). Acredite na Beleza!… do íntimo e do ético, do (bom) carácter… e seja feliz!


