O Estado da Nossa Sociedade e a Esperança do Natal

PANORAMA

Reconhecemos que vivemos tempos muito difíceis. Está patente diante de todos como se encontra a nossa sociedade, portuguesa e global. As nossas preocupações com o actual estado de coisas já não se restringem ao nosso pequeno rectângulo, “à beira mar plantado”, mas à esfera azul, chamada “Terra”. A nossa sociedade não é uma ilha, mas uma particula deste mundo novo globalizado – sendo contribuinte e, mais do que isso, sendo produto.

Qual é o quadro que visualizamos a cada dia: corrupção, aumento da imoralidade, delinquência crescente, criminalidade grassando e cada vez mais violenta, justiça lenta e duvidosa; terrorismo à porta de casa; insegurança e medo instalados; desconfiança para com as instituições, políticas, económicas, sociais e religiosas; economia em falência, justiça social cada vez menos justa; aumento do divórcio e do aborto; crescente violência doméstica e escolar (“bullying”); as enfermarias psiquiátricas sem capacidade para albergar os deprimidos; mais consumo de álcool e de substâncias dopantes; mais informação e menos educação; etc. etc.. Até o clima ajuda neste panorama negro: alterações climáticas irreversíveis com todas as consequências conhecidas…

AS CAUSAS

As causas relacionam-se com certas filosofias orientadoras da sociedade. Considerando filosofia como uma forma de pensamento e consequente comportamento. Mencionando algumas:

- Materialismo. Valorização do TER sobre o SER. As pessoas são valorizadas e queridas por aquilo que posuem em termos materiais. Pela aparência material. Por isso, temos uma sociedade excessivamente consumista. Por isso, temos o crédito mal parado atingindo números recorde e os novos pobres e a pobreza envergonhada. As crianças nascem e são criadas neste sistema. Investe-se em artigos e bens materiais para as crianças, e não em valores e virtudes que formam o (bom) carácter. O material passa, o carácter perdura. O materialismo gera ganância, avidez insaciável, avareza, desonestidade, fraude, roubo, dinheiro fácil, etc.. O bom carácter gera contentamento pelo que se possui, altruísmo, partilha e solidariedade, justiça, honestidade, verdade e rectidão.

- Economicismo. Tudo depende das conveniências e vantagens económicas. O que manda é o lucro, o saldo do orçamento e do balanço e os dividendos financeiros. Reduz indiscriminadamente os salários e despede-se para reduzir despesas, simplesmente e, simultaneamente aumenta-se os produtos e serviços de primeira necessidade. O ambiente sofre (e nós com ele) por causa dos indicadores e fins económicos. Promove-se a eugenia (aniquilamento de crianças ainda no ventre que se prevê nascerem deformadas) e a eutanásia, porque deformados, deficientes, doentes e acamados são considerados inúteis, improdutivos são um encargo económico muito pesado para o estado. Aborta-se porque filho que vem (viria) é mais um encargo financeiro para a família. Diz-se por aí que altas entidades mundiais se reúnem secretamente para criar medidas para impedir o crescimento populacional e, até, diminuir, de forma laboratorial.

- Hedonismo. O culto do prazer. “come, bebe e faz o que te dada prazer porque a vida é curta e amanhã morrerás”. Satisfação dos apetites carnais. Os hormonas e a adrenalina comandam a vida. O problema não é prazer, apetite e desejo, mas a forma e as medidas para os satisfazer: a ilicitude e os excessos. E aí entra o sexo sem compromisso e afecto; sexo na adolecescência, com as gravidezes indesejadas, aborto como método contraceptivo, com os decorrentes traumas afectivos e de consciência; crianças abandonadas e institucionalizadas; frustrações; etc.. E aí entra o consumo desregrado de álcool e drogas… e o suicídio.

- Imediatismo. A pressa de experimentar e gozar antes do tempo – antes de ser adulto, antes de ser casado… e ninguém quer perder a corrida! Ninguém quer esperar e ter paciência para que as coisas da vida aconteçam no tempo apropriado. É o stress. É os atropelamentos. As pessoas desgastam-se e cedo ficam velhas e cedo cansam-se da vida.

- Esteticismo. A preocupação excessiva com a imagem estética. O culto da beleza. A sociedade padronizou a beleza. Para se estar dentro do padrão gastam-se somas em salões de estética e em lojas de cosmética. Para se estar dentro muitas e muitos, sofrem de doenças como a bulimia e a anorexia, provocadas por distúrbios alimentares. Entre os que não estão dentro, alguns auto-mutilam-se e outros isolam-se por causa dos complexos. Ainda há aqueles (as) que têm comportamentos de risco, ou para ser aceites pelo grupo, ou por revolta. A realidade é que muita dessa beleza só existe em foto de revista, trabalhada por programas informáticos e esconde sofrimentos resultantes da pressão das agências de modelos.

- Pragmatismo. É a filosofia que diz: “Desde que funcione está bem.”. O que conta e o que manda são os resultados. Não importa como se alcançam. É a lei de “Os fins justificam os meios”… para atingir lucros, para se ser promovido, para ganhar uma eleição, para baixar o deficit… Desta filosofia advêm a corrupção, os compadrios e troca de favores esquecendo os princípios e as convicções; a exploração laboral e comercial; as fugas ao fisco e a sonegação de impostos, os “off-shores” e os paraísos fiscais; a competição desonesta e a suplantação; a falta de verdade na informação; dispensam-se, transferem-se ou silenciam-se os investigadores honestos, justiça lenta e a culpa morre sozinha, etc..

- Relativismo. Sistema filosófico que diz não haver absolutos: “Não há leis absolutas; não há valores morais absolutos; não há verdades absolutas.”. Diz que “tudo é relativo”. O absoluto é aquilo que cada considerar. Não há uma única verdade acerca do que seja. A verdade é aquilo que cada um considerar como tal. O certo e o errado depende de cada um. É a filosofia que conduz à inversão dos valores: ao mal chama-se bem e ao bem chama-se mal. É a filosofia do “vale-tudo”, porque, no fim das contas, nada é errado! Esta filosofia está na base do chavão: “Faz o que sentes!” (interessante é observar que quem diz que não há absolutos, já está a estabelecer um absoluto!?… E quem diz que não há verdades absolutas, está a declarar uma verdade absoluta!?…)

- Humanismo. O Homem é o centro de tudo, do mundo e do universo. Tudo gira em função do Homem. É do Homem para o Homem. O Homem é o padrão e a regra de todas as coisas. Todo sábio, todo capaz, sempre certo, essencialmente puro – o Homem não peca, simplesmente comete uns pequenos desvios. É o topo da escala evolutiva. O iluminado. Por isso, segundo essa filosofia, o Homem é possuidor de vontade própria infalível e auto-suficiente. “Aquela-máquina” [lembram-se (portugueses) da silhueta do homem de fato e gravata preto com uma mala na mão da empresa Regisconta?]. E aí está na TV, na rádio e nos jornais e ao nosso redor as obras e os frutos de “Aquela-máquina”… O certo é que, como a empresa faliu, assim esse culto ao Homem, com seu humanismo, está falido!… e suspeita-se, igualmente, a sua extinção!

A CAUSA

As causas mencionadas têm uma CAUSA fundamental - a desconsideração crescente de Deus. As pessoas que compõem a sociedade em geral, afastaram/afastam-se de Deus. O Deus cristão, O Deus da Bíblia – Espírito Eterno, Criador e Mantenedor da Sua criação, Pessoal , Transcendente e simultaneamente presente na Sua criação; próximo do homem e simultaneamente longe, por vontade do mesmo homem. A filosofia Divina tem sido substituída por outras filosofias humanas.

Paradoxalmente, cresce a fé e a espiritualidade. Porém, erradas. Têm as suas raízes no extremo-oriente – no misticismo e espiritismo hinduísta e budista. Com o seu exotismo e disciplinas físico-mentais como o Yoga, a Meditação transcendental e o ascetismo, propondo a harmonização com a natureza, o Universo Energético e o “EU” pessoal, atraem as pessoas e as engodam transportando-as para o irreal imaginário que, como tudo que é irreal e imaginário, logo se esvai.

O Homem está desiludido, falido, vazio e desesperado. As suas filosofias são uma desilusão. O Homem procura soluções. O Homem procura aquilo que realmente é a chave para o seu bem-estar e realização existencial. Tudo o que faz e cria não responde. Atenua, retarda, mas não resolve de todo.

ESPERANÇA

É aqui que entra o Natal! O Natal é a solução e a chave para a felicidade do Homem! Não este Natal que todos conhecem – o da árvore decorada e iluminada, o do “pai natal”, o do comércio, etc.. Mas o Natal de Jesus! O Nascimento de Jesus. Jesus é a resposta, é a solução, é a Esperança! Não o Jesus sempre menino, figura de barro, o do 25 de Dezembro de cada ano, mas o Filho de Deus Bendito que nasceu como qualquer menino, cresceu, Se fez homem adulto e como adulto deu a Sua vida por nós na amarga cruz para nos livrar do vazio, da falência, da desilusão e do desespero. O Jesus que derramou o Seu sangue inocente e imaculado no madeiro para nos libertar da culpa e da prisão dos nossos pecados. O Jesus que sepultado ressuscitou a terceiro dia e está vivo para todo-sempre, para dar vida abundante a todo o que Nele confiar e a Ele entregar a sua vida.

O Jesus que, segundo as Suas próprias palavras e dos Seus santos profetas e apóstolos, irá voltar para resgatar da destruição os Seus fiéis, julgar toda a impiedade estabelecida na terra e criar novos céus e nova terra onde habitarão a justiça, a paz e alegria plenas.

Jo. 3:16: Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigénito, para que todo aquele que Nele confia não se perca mas tenha a vida eterna.

Lc. 2:9-11: E eis que um anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo, pois na cidade de David vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Lc. 2:25-32: Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado pelo Espírito Santo de que não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E, pelo Espírito, foi ao templo e quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com Ele procederem segundo o uso da lei, ele, então, O tomou em seus braços, louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, podes despedir o teu servo em paz, pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual Tu preparaste perante a face de todos os povos, luz para alumiar as nações e para glória de Israel.

Hb. 9:28: Cristo, oferecendo-Se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O esperam para a salvação.

Lc. 21:25-28, 34-36: E haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e, na terra, angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas; homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo, porquanto os poderes do céu serão abalados. E, então, verão vir os Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima. E olhai por vós, para que não aconteça que o vosso coração se carregue de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar de pé diante do Filho do homem.

II Pe. 3:11-13: Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.