O Quinquagésimo Aniversário do Cristo-Rei

Esta celebração contou com a visita da senhora de Fátima. Foi uma visita “marketista”, porque a ideia foi usar a referida senhora, atrair multidões e relançar e aumentar o número de visitas ao Cristo-Rei.
A administração testemunha que o número de visitas ao Cristo Rei não é aquele que se esperava. Mais, informa que as contas apresentam um saldo negativo de um milhão de euros, desde do ano de 2001, saldo que resulta de obras de restauro. Um saldo difícil de liquidar porque o número daqueles que sobem até junto do Cristo-Rei ficando muito aquém do necessário. Chegar junto do Cristo-Rei custa 4€ a cada adulto, 2 para as crianças e 2,5 para os da terceira idade.
O Cristo-Rei de Almada não é o Cristo-Rei do Evangelho. O Cristo-Rei do Evangelho não precisa de ajuda para atrair multidões a Si.
No Evangelho nós vemos que a Sua presença, a Sua Palavra e o Seu poder eram o bastante para atrair as multidões. Pretensamente, a senhora de Fátima é Maria, a mãe de Jesus. Mas, de acordo com o Evangelho, Cristo não precisou da presença de Maria para as pessoas irem a Ele e para as abençoar. Também não aceitava a sua intromissão nos Seus assuntos (Jo. 2:3-4). O Cristo-Rei do Evangelho é Todo-poderoso e Todo-sábio, pelo que, também, Todo-suficiente para fazer as coisas sem ajudas seja de que natureza for: senhoras, santos, esmolas, sacrifícios, promessas, etc.. Ele tem todo o poder para operar e sabe muito bem quando e como operar e tudo o que faz, faz bem. Para todas as nossas necessidades Ele é Único e Exclusivo: para sermos salvos (At. 4:12), para nos relacionarmos com Deus (I Tm. 2:5) e para irmos para o céu (Jo. 14:1-6).
O Cristo-Rei do Evangelho não precisa de operações “marketistas”. A Sua mensagem simples, de amor, perdão, paz e esperança, testemunhadas, também, com simplicidade e convicção, por meio de pessoas cujas vidas a confirmam; mensagem através da qual Ele é exaltado, é o bastante para fazer chegar a Si as pessoas (Jo. 12:32).
O Cristo-Rei do Evangelho não tem saldos negativos. Ele é Auto-suficiente e não necessita de dinheiro para Se manter. Ele não é como as divindades criadas pela imaginação e mãos humanas que necessitam dos cuidados e manutenção, também, humanas. Ele é o Criador de tudo quanto existe (At. 17:23-29). Pela Sua Palavra Ele sustenta todas as coisas visíveis e invisíveis e sobre todas as coisas Ele detém o poder e domínio (Cl. 1:13-17; Ef. 1:19-23; Hb. 1:1-3). Ele é o Majestoso Senhor, revestido de Glória e está sentado no trono celestial (Ap. 5:5-6). Não necessita de esmolas, flores, velas, alimentos, etc.. Nós, seres humanos, é que necessitamos Dele e sem Ele estamos com o “saldo negativo” para com Deus porque os nossos muitos pecados nos põem nessa situação. Entramos em falência espiritual, moral e emocional e sem meios para liquidar as nossas dívidas (Sl. 49:6-9). E a nossa vida material e física, por consequência, está em prejuízo.
Em Jesus encontramos todas as riquezas da graça de Deus que nos conduzem ao perdão e à salvação (Ef. 1:7-8 e 13; 2:8-9). Nele o registo da dívida é anulado (Cl. 2:13-14). Por Ele temos acesso às riquezas da glória da herança celestial (Ef. 1:18). Também, em Jesus, no Cristo-Rei do Evangelho, encontramos o suprimento das nossas necessidades materiais e físicas, se, conforme Ele nos instrui, buscarmos primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça (Mt. 6:19-33).
O Cristo-Rei do Evangelho não é uma estátua. Não é inerte, estático e imóvel. Ele é vivo e glorioso, que Se faz presente no meio daqueles que O invocam e promete estar com eles em todo o lugar e tempo (Ap. 1:17-18; Mt. 18:20; 28:20). Não é material que se corrompe e desgasta. Por isso que, como disse o Apóstolo Paulo, não devemos fazer Dele uma imagem semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida (ferro, cimento…) esculpida por artifício e imaginação dos homens (At. 17:29).
Afirmação que concorda com o quarto mandamento que diz: não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que em cima nos céus, ou em baixo na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem (Êx. 20:4-5).
O Cristo-Rei do Evangelho recebe-nos sem exigir pagamento. Ele diz: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva fluirão do seu íntimo (Jo. 7:37-38). Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso (Mt. 11:28-29). Este maravilhoso convite do Cristo-Rei do Evangelho é gratuito: Ó vós que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde e comprai, e comei; sim, vinde e comprai sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim (Is. 55:1-3a).
Nesse dia foi feita a geminação entre os santuários do Cristo- Rei, de Almada, e do “Cristo Redentor do Corcovado” do Rio de Janeiro (possui uma estátua semelhante ao de Almada) – Brasil. Acho interessante – os dois imponentes “Cristos” integrados em duas regiões onde, nos respectivos países, são as que mais casos de corrupção registam e onde mais criminalidade há! São, efectivamente, uns “Cristos” ineficientes e impotentes. Definitivamente, esses “Cristos-Reis”, não são o Cristo-Rei do Evangelho.
Ah! A senhora? Pois… a festa foi em honra dela. Com efeito, ela foi a principal protagonista da celebração desse aniversário. Saiu de Fátima – a imagem – foi até Almada – quer dizer transportaram–na - com escolta policial e foi recebida com toda a “pompa e circunstância”. Entre celebrações e procissões, missas e vigília, visitando e recebendo devoção e culto pelas ruas e em oito pontos, fez uma “peregrinação” de dois dias entre Almada e Lisboa, além do santuário do “Cristo-Rei”. Numa procissão a senhora – quer dizer, a imagem – foi acompanhada por mil crianças e 200 jovens, que foram atirando pétalas. É sempre a mesma igreja católica romana, cada vez mais mariana e fatimista, desviando os olhos das pessoas de Quem importa – Jesus Cristo (Hb. 12:2)
Concluo transcrevendo da Bíblia: Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória pois a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura (Is. 42:8). Deus O (Jesus) exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra e toda a língua confesse que Jesus é o Senhor, para glória de Deus Pai (Fp. 2:9-11)


