Papa Bento XVI - A propósito da Visita

No seguimento da visita do chefe da igreja católica ao nosso país, nomeadamente à cidade de Fátima, “O Papa Bento XVI”, encarnado pela pessoa do cardeal Joseph Ratzinger, surge a pertinência da publicação do seguinte texto, extraído do Livro da autoria do Pr. Michel Cruz, “Fátima, O Que Dizer de Ti?”:

Fátima, Papado E S. Pedro
Ainda que demorou a acontecer, o papado católico dá a sua chancela ao fenómeno Fátima, sendo este um lugar de peregrinação obrigatória do chefe supremo da igreja católica.

Acho oportuno abordar este assunto do Papado e mostrar ao leitor quão errado isto é. A igreja católica entende que é absolutamente correcto. E no seu argumento afirma que Pedro, o apóstolo de Jesus Cristo, foi o primeiro Papa. Mostrarei que a figura do Papa é estranha face às Sagradas Escrituras e que Pedro, o apóstolo, o da Bíblia, em nada se identifica com o Pedro, papa, o da igreja católica.

O S. Pedro da igreja católica
A igreja católica (a sua hierarquia) dogmatizou (za) sobre Pedro o seguinte:

1 – Foi-lhe concedida uma primazia de jurisdição directa e individualmente sobre toda a igreja, tendo poder de ordenar e destituir os bispos os quais são seus representantes;

2 – É o Príncipe dos Apóstolos isto é, é superior aos demais apóstolos;

3 - É a pedra fundamental onde assenta a Igreja de Cristo;

4 - Ao receber “as chaves do reino dos céus” recebeu o poder determinante de absolvição e de condenação dos pecadores, concedendo-lhes a entrada ou não no céu;

5 - É o Doutor infalível da Igreja;

6 - É o verdadeiro Vigário (representante) de Cristo na terra;

7 - Foi Bispo da Igreja em Roma.

Com respeito ao “Papa”
E no seguimento continua a dogmatizar:

1- É o Sucessor de Pedro. A primazia e todas as prerrogativas de Pedro foram transferidas aos pontífices de Roma e por isso sómente o pontífice romano tem o direito de ser chamado universal. É o Sumo Pontífice e cabeça da Igreja, o seu Chefe Universal.

2 – É o Pai e Mestre de todo o povo cristão

3 - Por ser infalível, não pode ser julgado por ninguém;

4 - É a única pessoa deste mundo cujos pés devem ser beijados por príncipes e soberanos;

5 - Sendo ordenado segundo estabelecido no cânon da Igreja, é indubitavelmente santo pelos méritos do bendito Pedro. O Papa é a “Sua Santidade”.

Refutação
Vamos refutar à luz da Bíblia a figura do Papa e todos atributos que lhe são conferidos pela hierarquia católica:

1 – Não existe o ministério de Papa. A Bíblia diz que para o governo e a administração da Igreja Jesus tem dado apóstolos, profetas, evangelistas, pastores[1] e mestres e diáconos (Ef. 4:11; Fp. 1:1). Nada fala sobre papas. Desculpe, há um “Papa” que Jesus falou!… “Papa” significa “Pai” e Jesus disse para não chamarmos de Pai, no sentido religioso e espiritual, a algum homem aqui na terra, mas somente ao Pai Celestial, que é Deus (Mt. 23:9).

2 – A nenhum dos apóstolos foi dada a supremacia sobre qualquer outro (Mt. 20:25-28; 23:10-12). O apóstolo Pedro igualava-se aos outros e honrava os outros pelos seus feitos (I Pe. 5:1; II Pe. 3:15-16). No céu e no futuro Reino de Cristo todos os apóstolos terão posições honrosas sem qualquer diferenciação entre uns e outros (Ap. 21:14; Lc. 22:29-30).

3 – Quem é possuidor das chaves é Jesus Cristo (Ap. 1:17-18, 3:7-8).

(1) - É Jesus que vai determinar o destino de cada um e não Pedro (Jo. 5:27-29; Mt. 25:31-34, 46; II Tm. 4:1);

(2) - O tribunal é de Cristo e não de Pedro (II Co. 5:10);

(3) - O galardão está com Cristo e não com Pedro (Ap. 22:10-12);

(4) - Jesus é a porta (Jo. 10:9)… e para entrar por ela é aqui, enquanto em vida, que se tem que entrar. A entrada no céu não é decidida a seguir à morte, mas ainda em vida, pela fé em Jesus Cristo (Mt. 23:42-43; Ap. 14:13; Fp. 1:20-23);

(5) O poder determinante de perdão e absolvição pertence exclusivamente a Jesus (Mt. 9:2; I Jo. 1:9; Rm. 5:1; 8:1);

(6) - Quando Estêvão, o primeiro mártir cristão, entrou no Céu quem o recebeu foi Jesus e não Pedro (At. 7:55-60). E assim também vai ser com todos os Seus discípulos na Sua volta (Jo. 14:2-3; I Ts. 4:15-17);

(7) – A grande maioria dos estudiosos da Bíblia entendem que quando Jesus disse a Pedro que lhe daria as “chaves do reino dos céus” (Mt. 16:19), queria dizer que Pedro seria aquele que teria o privilégio de ser o primeiro a pregar o Evangelho aos judeus e aos gentios na era da Igreja, abrindo-lhes, assim, “a porta da fé” (At. 2:14ss; 10:34ss, 15:7).

Nota: há diferença entre “Céu” e “reino dos céus”. O “Céu” é a morada especial de Deus e dos fiéis. O “reino dos céus” é “a esfera da profissão da fé cristã” em que os que nele estão nem todos irão para o Céu. As parábolas das bodas, do trigo e do joio, da rede e dos peixes bons e ruins, e das 10 virgens mostram-nos isso (Mt. 22:1-14; 13:24-30, 36-43; 47-50; 25:1-13). O Senhor introduziu-as dizendo “O reino dos céus é semelhante a…”.

4 – Quanto à infalibilidade, só Jesus é infalível. Dentre os homens todos são pecadores e todos falham. Somos advertidos a não confiar no homem mas só no Senhor (Jr.17:5 e 7; Sl. 118:8-9). Infalível significa ser irrepreensível. E isso não se passava com Pedro. Certa vez, Pedro foi repreendido por Paulo por sua conduta errada (Gl. 2:11-14). E noutra vez Pedro foi submetido a um inquérito, num julgamento de um conselho da Igreja (At. 11:1-4).

5 – A Igreja de Cristo não tem um chefe humano. O Chefe máximo e Cabeça Universal da Igreja é Jesus (Hb. 3:6; Ef. 1:20-23; 4:15; 5:23-24; Cl. 1:18). A Igreja é de Jesus (Mt. 16:18) sendo Ele mesmo o Guia e Superintendente Universal da Igreja (Hb. 13:20; I Pe. 5:4; 2:25). Por isso:

i) É Ele que tem a primazia de jurisdição, directa e individualmente sobre toda a Igreja (Tg. 4:12). Cristo dirige a Sua Igreja por meio do Espírito Santo e da Sua Palavra, usando homens por Ele vocacionados (Jo. 16:13-14; Ef. 4:9-16; At. 13:2-4; 20:28; Ec. 12:10-11).

ii) Os bispos são ordenados por Ele (Ef. 4:10-11; Cl. 1:15-18) e são os Seus representantes nas várias igrejas locais (Ap. 1:12-16, 20; 2:1; I Pe. 5:1-4) e com reconhecimento dos membros das igrejas onde são ordenados (At. 14:23) . E como Executor dessa Sua ordenação temos o Espírito Santo (At. 20:28), por meio de instrumentos humanos e que não exclusivamente Pedro. Como exemplo, temos Paulo, Barnabé e Tito a ordenarem bispos (At. 14:23; Tt. 1:5-7). (As designações ”ancião”, “presbítero” e “bispo” são sinónimos, conforme confrontação dos versículos At. 20:17 com 20:28 e Tt. 1:5 com 1:7. A primeira provém do hebraico, a segunda do grego e a terceira do latim). Jesus afirmou que é Ele Quem tem a autoridade máxima no céu e na terra (Mt. 28:18).

6 – Beijar os pés. A ordem do Soberano Deus e Pai Celestial é que é ao Seu Filho que os príncipes e os soberanos das nações devem beijar (Sl. 2:7-12). Ele que é o Rei dos reis e o Senhor dos Senhores (Ap. 1:5; 17:14; 19:15-16). Esse beijar tem o sentido de exaltação e adoração.

7 – Jesus é, também, o Mestre e Doutor (Doutrinador) Universal da Sua Igreja (Mt. 23:7-8 e 10; 28:19-20; ITm.6:3-5; II Jo. 8-11). No livro que dá conta dos primeiros anos da igreja, Actos dos Apóstolos, diz que a igreja permanecia na doutrina dos apóstolos (At. 2:42). É sobre essa doutrina que a Igreja deve ser edificada, a qual tem como fonte originária Jesus (Ef. 2:20; Mt. 28:20; I Tm. 6:3-4a). E a Sua doutrina está estabelecida na Bíblia Sagrada, “a Escritura divinamente inspirada” que instrui quanto à salvação, à formação do carácter e do seu comportamento daquele que é salvo (II Tm. 3:15-17). O Espírito Santo, também designado de “Espírito de Cristo” ou “Espírito de Jesus” (Rm. 8:9; At. 16:5-6), inspirou os escritores dos Velho e Novo Testamentos para que escrevessem a doutrina de Cristo (II Pe. 1:19-21; I Pe. 1:10-12; Jo. 16:13-14). Dentre os apóstolos a doutrina não foi ditada unicamente por Pedro. Outros foram conduzidos pelo Espírito Santo a ministrar e a escrever doutrina para a Igreja. Por isso temos na Bíblia epístolas de outros apóstolos. Sendo que Paulo foi o que mais escreveu[2] estabelecendo orientação relacionada com a organização, normas de conduta e liturgia para a Igreja (ITm. 3:16). E Pedro reconhecia os escritos de Paulo, pela sua sabedoria revelada, e recomendava que as igrejas prestassem atenção a esses escritos (II Pe. 3:15-16).

8 – É Jesus, ainda, o Representante (Vigário) de Deus para com a Igreja, e da Igreja para com Deus: como Apóstolo e Sumo-sacerdote (Hb. 3:1; 4:14-16; 6:20; 8:1; 10:21-22), Único intercessor (Hb. 7:22-26), Único Mediador (I Tm. 2:5) e Único Advogado (I Jo. 2:1). Entretanto, Jesus faz-Se representar na terra por meio do Seu Espírito Santo o Qual exerce essa representação por meio da Igreja, que é o Corpo de Cristo (Jo. 14:16-17, 26; 15:26-27; 16:7, 13-15; I Co. 12:12-13; Ef. 4:3-4; I Co. 3:16-17).

9 – Pedro não foi bispo em Roma. Roma fazia parte dos gentios, dos povos não judeus. A Pedro tinha sido atribuída a responsabilidade pastoral sobre os judeus, “a circuncisão”. A responsabilidade pastoral sobre Roma era de Paulo, o apóstolo dos gentios (Gl. 2:7-9). Ele é o escritor da epístola aos Romanos e esteve em Roma, pelo menos, por dois anos, onde pregou o Evangelho e instruiu os crentes (At. 28:16 e 30-31).

10 – A pedra é Jesus. A Bíblia é bem clara a afirmar que a pedra fundamental sobre a qual é edificada a Igreja é Jesus (Ef. 2:20-21; 10:4). O apóstolo Paulo disse que era Jesus, e que ninguém pode apresentar outra pessoa ou coisa nessa qualidade (I Co. 3:11). Os doutores da igreja católica estabelecem que Pedro é a pedra por uma má interpretação de um texto bíblico, Mt. 16:18, e por desconsiderarem outros textos como aqueles que referenciei atrás. No texto de Mateus, a “pedra” (lat. petram; gr. petra, uma massa de rocha) que Jesus se referiu não é Pedro (lat. petrum; gr. petros, pedra solta), mas sim a declaração de Pedro acerca de Jesus de que Ele é “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt. 16:16). É sobre o facto de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, que Ele edifica a Sua igreja. Se a pedra fosse Pedro Jesus teria afirmado “sobre ti edificarei a minha igreja”. O próprio apóstolo Pedro disse que quem era a pedra era Jesus (At. 4:10-12; I Pe. 2:3-7). E agora (para espanto seu e meu) veja o que a própria igreja católica declara acerca disto no seu Catecismo, no parágrafo 424, que confirma a posição defendida aqui de que Cristo é a pedra:

Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, nós cremos e confessamos a respeito de Jesus: “Tu és o Cristo o Filho de Deus vivo” (Mt. 16:16). Foi sobre o rochedo desta fé, confessada por Pedro, que Cristo edificou a sua igreja.

11 – “Sua Santidade”. É um título que é abusivo quando aplicado a um homem. Quer referir-se à inexistência de pecado e falhas. Na Bíblia esse título nunca foi aplicado para com nenhum humano, mesmo para com alguém que tenha sido relevante quer no Velho Testamento, quer no Novo. “Sua Santidade” é a Divindade (Is. 6:1-3; Ap. 4:8). Entre os humanos esse título só tem cabimento numa Pessoa muito especial e Essa é Jesus. Ele sim nunca pecou e nunca falhou (I Pe. 1:19; 2:22; Hb. 7:26). Ele é chamado de “O Santo” (Lc. 1:35; At. 3:13-14).

O Pedro da igreja católica não é Pedro, o Apóstolo

Segue-se uma comparação entre o Pedro da igreja católica e o Pedro da Bíblia, Apóstolo de Jesus. Entenda Pedro da igreja católica, como aquele que pretensamente a igreja romana diz ser o apóstolo de Jesus, que diz ter sido o primeiro “Papa”, e os seus sucessores. O leitor vai concluir que não se trata da mesma pessoa.

O PEDRO DA IGREJA CATÓLICA
a) É solteiro e proíbe o casamento dos ordenados ao ministério.
b) Requer-se e aceita que seja beijado nos seus pés e aceita que se prostrem diante de si.
c) Declara-se a Pedra da Igreja.
d) É infalível e não tem que prestar contas, nem pode ser julgado por ninguém.
e)Assume ser o Sumo Pastor da Igreja.
f)Assume ser O Soberano, detentor de primazia, de uma ordem superior.
g)Vive num ostentoso, sumptuoso e luxuoso palácio, vestindo vestes caríssimas.
h) Diz que a salvação está na igreja católica.
i) Diz que Maria é co-redentora.
j) Assume ser a “Sua Santidade”.
l)Assume o poder determinante sobre o destino eterno de todos os homens.
m) Assume os atributos de perdoador de pecados e de poder de absolvição.
n) Valoriza a tradição do povo equiparando-a à Bíblia Sagrada.
o) Assume a sua palavra como a máxima autoridade.
p) É Mariano: exalta e glorifica a Maria.

O PEDRO DA BÍBLIA, APÓSTOLO DE JESUS
a) Era casado e fazia-se acompanhar da esposa (Mt. 8:14; I Co. 9:5). Cefas é Pedro (Jo. 1:42)
b) Não aceitava tal coisa (que lhe beijassem os pés) (At. 10:25-26)
c) Disse que a Pedra é Jesus (At. 4:11; I Pe. 2:3-7)
d) Prestava contas e permitia-se submeter-se a um inquérito (At. 11:1-4)
e) Declarava ser Jesus o Sumo Pastor da Igreja (I Pe. 2:25; 5:4)
f) Considerava-se igual ao comum de todos os homens e ministerialmente equiparava-se aos outros (At. 10:25-26; I Pe. 5:1)
g) Era modesto e humilde e nem dinheiro dispunha para dar a um mendigo (At. 3:1-6)
h) Pregava que a salvação está exclusivamente em Jesus (At. 4:12)
i) Disse que só o sangue de Jesus, que Ele derramou na cruz, tem poder redentor (I Pe. 1:18-19)
j) Não reconhecia tal santidade, mas declara que Jesus é que é “O Santo” (At. 3:12-14)
l) Declarou que esse poder pertence a Jesus, o juíz dos vivos e dos mortos (At. 10:42)
m) Atribuiu esses atributos e poderes a Jesus (At. 10:43)
n)Disse que a tradição conduz a uma “vã maneira de viver”, isto é, é inútil, ôca, sem proveito (I Pe. 1:18)
o) Considerava e apontava as Escrituras inspiradas pelo Espírito Santo como a máxima autoridade (I Pe. 1:10-12; II Pe. 1:19-21; 3:2 e 15-16; At. 1:16; 25, 34; IPe. 1:16, etc.)
p) É Cristão: exalta e glorifica a Jesus. Leia os seus sermões e as suas epístolas e observe como Pedro focaliza-se em Jesus Cristo. Nas suas últimas palavras registadas na Bíblia encontramos o seguinte: “crescei na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A Ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amén.” (II Pe. 3:18)