Testemunho

O meu nome é Valdilúcio Santos, sou brasileiro de nacionalidade e tenho 31 anos. O meu objectivo com este meu testemunho é dizer-lhe que ainda há solução para os seus problemas, independentemente de como você possa estar.

Nasci num lar evangélico Assembleiano (de Assembleia de Deus) e fui criado segundo a Palavra de Deus. Com 9 anos de idade fui vítima de bruxaria que tinha como alvo a vida da minha mãe, e esta bruxaria era para a sua morte. Certo dia, pelo poder de Deus, tive uma visão em que demónios tentavam matar-me, do que eu fui liberto daquela bruxaria que me impedia ingerir alimentos, sendo visível a minha degradação. Após esta experiência sobrenatural, continuei a frequentar a igreja com os meus pais, e o Senhor agraciou-me com o baptismo com o Espírito Santo e aos 14 anos fui batizado nas águas.

Tudo estava andar bem na minha vida até que certo dia um jovem, que não era evangélico, foi visitar a igreja onde eu congregava, e com este jovem acabei por ter uma discussão violenta devido à sua falta de respeito para com a minha namorada. Por causa dessa discussão, acabei por enfraquecer-me por completo na fé. Afastei-me da igreja e do caminho do Senhor.

Aquele jovem não evangélico, tinha ligações com pessoas criminosas, e por medo, procurei e consegui uma arma, na intenção de poder me defender mas eu não sabia nem como pegar numa arma. Procurei por uma arma, mas acabei por ter várias à minha disposição, e, assim, comecei a entrar num mundo que eu só conhecia pela televisão, o mundo do crime. Por várias vezes tentei tirar a vida daquele jovem e ele também tentava acabar com a minha.

Já envolvido no mundo do crime comecei por consumir drogas e em seguida a fazer assaltos e roubos, e o jovem que me perseguia acabou por ser assassinado na porta de uma escola, onde ele traficava drogas.

A minha família já não sabia mais o que fazer comigo. A vida deles já não tinha paz, passavam as noites em claro sempre à espera que alguém fosse levar a má notícia de que o seu filho tinha sido assassinado ou preso.

Com 16 anos de idade a minha vida estava um inferno! Eu já estava sob juramento de morte por parte de bandidos e polícias. Foi então que no ano 1997 o meu pai resolveu deixar o Brasil e imigrar para Portugal, trazendo-me com ele. Chegando a Portugal, comecei a trabalhar, mas o “inimigo” preparava os meus caminhos e escolhia as minhas amizades. Após poucos meses em Portugal conheci uma jovem cujo pai era traficante, a mãe trabalhava num bar de “strip-tease” e a avó era bruxa. Passando mais alguns meses conheci um traficante de armas e assim comecei no tráfico de armas e de drogas e no ano 2000 fui preso, por tentativa de homicídio. Fui condenado a 8 anos de prisão, e acabei por cumprir 6 anos e 8 meses.

Com 20 anos de idade eu encontrava-me dentro de um precipício e deparava-me diante da morte. Após cerca de 5 meses na prisão comecei a traficar, chegando a ter em minha cela mais de 2 kg de drogas. Através das drogas conquistei poder sobre 80% dos presos, situação que gerou inimigos entre os presos e guardas da prisão. Foi então que começou a haver várias movimentações para que eu fosse assassinado. Tive várias vezes a morte à minha frente. Ao fim de 4 anos o poder foi-se acabando. Comecei a passar os meus dias fechado numa cela, consumindo drogas e embriagando-me. Por várias vezes a ideia do suicídio vinha à minha mente. Porém – sei agora - Deus nunca se esqueceu da minha vida, e os meus pais não paravam de clamar a Ele por mim.

Cheguei à minha liberdade condicional e aí tentei voltar para os caminhos do Senhor, mas foram poucas as minhas forças. Conheci uma jovem muito especial e evangélica, começámos a fazer planos para nos casarmos e me firmar na presença de Deus, mas muito tinha que ser mudado em mim. Foi então que 3 meses antes do dia do nosso noivado, fui novamente preso. Fui preso por crimes muito graves, e, rapidamente, a minha mente começou a ser tomada por pensamentos suicidas. Por trás desses pensamentos estava a ideia de que a minha família iria abandonar-me, minha futura esposa iria esquecer-me e eu iria sofrer muitos anos numa prisão. Quando eu procurava uma forma de tirar a minha vida, acabei por dizer: “Deus, tem misericórdia de mim.”

Nesse momento Deus ouviu o meu clamor e respondeu-me. Eu estava deitado na cama da cela e, com os olhos fechados, ouvi uma voz que me dizia claramente: “Eu te vou dar mais uma oportunidade. Entrega a tua vida nas Minhas mãos e Eu te ajudarei.” Após ouvir estas palavras, com o meu rosto em lágrimas, dobrei os meus joelhos no chão, pedi perdão a Deus e fiz com Ele um concerto.

Começou, então, outra página na minha vida! Eu já não pensava no suicídio e tudo parecia ser bem mais fácil de se resolver. Eu sabia que seria condenado a uma pena de prisão muito elevada, mas nada conseguia tirar a paz que eu sentia.

Passados dois meses, eu continuava a lutar contra o mal e esforçava-me na leitura diária da Palavra de Deus – a Bíblia - e na oração. Mas satanás não tinha desistido de me destruir. Na prisão onde eu estava chegavam pessoas todos os dias. Muitas dessas pessoas eram estrangeiras, presas no aeroporto por transportarem drogas. Foi então que um homem de origem senegalesa, que tinha sido preso com drogas no estômago, foi à minha procura para negociar 20 gramas de cocaína em estado puro. Eu não conhecia aquele homem e também não falava a língua dele, mas ele sabia falar em espanhol e acabamos por conversar. Ele dizia que só confiava em brasileiros e por isso queria me vender a droga. Eu lutava contra as tentações, mas não consegui ter forças para dizer não e acabei por comprar aquela droga. Rapidamente, comecei a traficar, mas os desejos de consumir começaram a crescer em mim, e por fim comecei a consumir cocaína. Estive 12 horas a consumir cocaína em alto estado de pureza, e por volta das 7 horas da manhã comecei a ter sintomas de uma overdose. O meu coração acelerava-se e acalmava-se, os meus lábios e as pontas dos meus dedos ficaram roxos, uma dor muito forte invadiu o meu peito e o desespero começou a tomar conta de mim. Eu pensei que era o meu fim! Com toda a dor que eu estava a sentir, lembrei-me do que eu tinha falado com Deus quando Ele respondeu ao meu clamor, e, então, reconheci que eu tinha sido muito fraco e falhado com a minha promessa com Deus. Em desespero comecei a dizer as palavras do cego Bartimeu: “Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!”(Evº. S. Marcos 10:46-47). Estive algumas horas em aflição, até que acabei por pedir ajuda ao guarda da prisão e fui levado para a enfermaria. Um dos chefes ao me ver disse: “Ninguém dê medicação a este preso, e não liguem ao médico! Ele não vai ser levado para o hospital! Se tiver que morrer vai morrer aqui!”

Realmente, eu pensei que ia morrer! Pensei que Deus não me iria ajudar mais. Fui levado novamente para a cela e fui colocado na cama onde acabei por dormir. Acordei cerca de duas horas depois com dores no peito, mas já me sentia bem melhor, graças a Deus. A partir desse dia firmei verdadeiramente os meus pés nos caminhos do Senhor, e com muitas lutas, venci todo o mal que havia na minha vida.

Juntamente com outros companheiros de cadeia, comecei a fazer cultos dentro da cela, e Deus começou a operar na minha vida. Cada dia era uma vitória!

Com o passar dos meses o grupo foi crescendo e milagres aconteciam no nosso meio. Um homem com 62 anos foi curado de um problema cardíaco e deixou de tomar os vários comprimidos. Também, houve muitas outras curas, para a glória de Deus.

Após a minha condenação fui transferido para um outro estabelecimento prisional, onde comecei, juntamente com um recluso convertido na prisão de nome João Paulo, fazer cultos no pavilhão da prisão e várias pessoas têm se entregue a Cristo.

Hoje estou firme na presença de Deus e completamente liberto, e toda a primeira Terça-feira de cada mês, tomo a Santa Ceia aqui no estabelecimento prisional, que é me trazida pelo Pastor Michel, da Igreja Assembleia de Deus, da cidade de Leiria. Nesta prisão temos recebido muitas bênçãos e a maior delas são os cultos que temos todas as Terças-feiras com o referido Pastor e seus cooperadores: irmã Henriqueta, o Presbítero Luís Costa e irmão João Maria. É uma grande bênção, graças a Deus!
Actualmente, estou com uma condenação superior a 20 anos de prisão, mas a Palavra de Deus diz que ao nível espiritual “agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.” (Ep. aos Romanos 8:1)

Que Deus te abençoe onde quer que você esteja!

E.P. Vale de Judeus – Portugal 22-02-2011